Jesus na Via dolorosa

João 19:17

Tomaram, pois, a Jesus, e ele, carregando a sua própria cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota.”

Há cerca de 1970 anos estava governando na Palestina o poderoso império romano com mão implacável. Trinta e três anos antes havia nascido ali, na cidade de Belém, uma criança, em cumprimento da promessa de Deus, a quem foi dado o nome de Jesus porque viera para ser o nosso salvador. Era o próprio Filho de Deus, enviado para expiar as nossas culpas. Foi criado com o maior carinho, tornou-se adulto à nossa imagem física e experimentou todas as vicissitudes humanas como nós. Durante três anos e meio cumpriu a nobre missão de convidar as pessoas a voltarem-se para Deus a fim de termos um mundo melhor, com mais amos, justiça e paz. Ele veio anunciar a chegada do Reino de Deus e a convidar as pessoas a entrar nele. Mas, apesar de múltiplos sinais evidentes da sua origem divina, foi rejeitado, tanto uns como outros, religiosos, políticos e povo. Ao aproximar-se o final de seu ministério, caminha na direcção de Jerusalém a fim de satisfazer a última parte da profecia.

Era o primeiro dia da semana. Depois de ser hospedado pelas irmãs Marta e Maria, em Betânea, encaminha-se com os discípulos para Jerusalém a fim de celebrarem a páscoa judaica. Como estaria ansioso por cumprir tudo o que estava escrito a seu respeito. Tendo chegado ao Monte das Oliveiras, Jesus ordenou a dois discípulos para que lhe trouxessem um jumentinho. Lançando as vestes sobre ele, Jesus montou e prosseguiram rumo a Jerusalém. Ao observar este cortejo, muita gente começou a saudá-lo dizendo: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor”. Dirigindo-se ao Templo, observou que os vendedores de animais para o sacrifício e os cambistas para trocar o dinheiro pelo usado no Templo estavam no lugar errado e expulsou esses negociantes da casa de Seu Pai. Se muitos já estavam contra ele, agora as coisas agravaram-se ainda mais porque foi prejudicar o seu lucrativo negócio.

No final da semana, quando se aproximava o tempo de celebrar a páscoa, Jesus enviou outros dois discípulos a fim de prepararem a celebração da sua páscoa. Eles assim fizeram e sentaram-se, conforme seu costume, para comemorar a saída vitoriosa do Egipto. Na mesa havia ervas amargas, um cordeiro e pão ázimo,  para recordar a amargura sofrida na escravidão egípcia, o sinal da libertação, e a prontidão para a fuga, respectivamente. Estando já à mesa, o Senhor observou que ninguém tinha lavado os pés conforme o costume hebreu. Levantou-se, tomou uma bacia e uma toalha e foi lavar os pés aos discípulos dando um grande exemplo de humildade, serviço e respeito por certas tradições. Após haverem ceado, Jesus tomou o pão e dando graças partiu‑o e repartiu por todos. Depois, tomando um cálice abençoou‑o e repartiu‑o igualmente por todos ordenando que fizessem o mesmo quando reunissem em recordação do seu sacrifício. Pois, aquele pão e aquele cálice serviriam para memória da sua morte até à sua volta.

Enquanto estavam à mesa, Jesus declarou que um deles o haveria de entregar para ser condenado. Embora todos interrogassem quem seria, o Senhor dirigiu-se a Judas e disse-lhe que agisse depressa. Naquele instante, Judas saiu apressadamente e foi negociar com os sacerdotes a melhor maneira de lho entregar. Entretanto, Jesus e os discípulos cantaram o último cântico e saíram com destino ao Getsêmani. Ali, Jesus deixou os discípulos e avançou para ficar a sós em oração. Após algum tempo de angústia, saindo já dos seus poros sangue juntamente com suor, ouve-se um clamor pedindo a seu Pai para retirar dele aquele cálice. Mas não era possível tal acção. O Pai tinha dado o Filho para ser sacrificado pelos nossos pecados ao mesmo tempo que o cordeiro pascal no altar do sacrifício no Templo.

Perto da meia noite vêem-se luzes cintilando ao longe, algumas vozes começam a soar através dos campos, e passos apressados são ouvidos na direcção do Cordeiro de Deus. Judas era conhecedor daquele lugar, onde o Senhor passava tempo em conversa íntima com Seu Pai, e guiou para lá os sacerdotes com alguns soldados para prenderem Jesus – o malfeitor. Judas não hesitou a usar o símbolo do amor como sinal para reconhecerem Jesus na escuridão e beijou o Senhor. Ao observar aquele aparato, o Senhor replicou: “Se me buscais a mim deixai ir estes”. Não se escondeu nem fugiu, entregou-se voluntariamente ao juízo dos homens e foi levado à casa do sumo sacerdote Anás onde começou a ser julgado. O Santo ia ser julgado por pecadores, tinha dito que não veio para condenar o mundo, mas para salvá-lo.

O julgamento de Cristo foi totalmente nocturno e, portanto, ilegal; pois, o tempo que medeia entre a prisão e a crucificação é de nove horas. Durante essas nove horas compareceu a julgamento religioso perante Anás, Caifás, e perante os membros do Sinédrio. E a julgamento civil perante Pilatos, Herodes e novamente Pilatos. Daí a expressão portuguesa de “andar de Herodes para Pilatos”. Eis alguns erros cometidos pelo Sinédrio: Julgamento nocturno, fora do lugar apropriado, testemunhos simultâneos, testemunhos discordantes, testemunhos dispensados, falta de exame imparcial da resposta do réu. Observemos as acusações de que foi alvo o Senhor que tanto nos amou: que destruiria o Templo, que se fazia filho de Deus, que se fazia rei dos judeus, que pervertia o povo com o seu ensino, que proibia pagar o imposto a Roma, que era um malfeitor a tirar da terra.

Durante todo aquele tempo foi maltratado, troçado, chicoteado, até desfalecer. Quanto sofrimento o do meu salvador! Quando se aproximavam as nove horas da manhã puseram-lhe o pesado madeiro e conduziram-no até ao Gólgota para ali ser crucificado. Enquanto caminhava ladeado pela multidão expectante, contorcendo-se com dores horríveis, ouvia-se aqui e ali alguém a lamentar a sua sorte. Mas Ele respondia que lamentassem por eles e por seus filhos porque viriam dias de juízo para eles. Enquanto caminhava, as dores, a febre e a sede aumentavam de modo a não poder mais transportar o madeiro do seu suplício. Então convidaram um africano de Cirene para o ajudar. Mas nós, presentemente, contamos com Ele para nos ajudar a levar a nossa cruz enquanto o seguimos. Logo que atingiram o local começaram os preparativos da crucificação de Jesus entre dois malfeitores.

Colocaram as suas mãos sobre a trave e ainda podemos ouvir as marteladas e mais marteladas. Depois martelaram nos seus pés. Colocaram uma coroa de grandes espinhos na Sua cabeça fazendo dele um rei fantoche. Ainda, por cima da sua cabeça puseram um cartaz que dizia: O REI DOS JUDEUS. O sangue jorrava por todos os poros. A Sua dor era insuportável. Quanto sofreu o meu Senhor em meu lugar! O Justo estava morrendo pelos injustos, o Santo pelos pecadores. Tudo isto para que os injustos sejam justificados e os pecadores sejam santificados pela fé nele.

Apesar do enorme sofrimento o Senhor ainda pode fazer ouvir a Sua voz, embora abafada, a suplicar ao Pai o perdão para aqueles ignorantes: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Também teve o cuidado de entregar sua extremosa mãe aos cuidados do seu amigo João. A um dos malfeitores condenados disse que naquele dia estaria com ele no Paraíso. Ao meio dia o sol deixou de brilhar sobre a terra e as trevas envolveram-na até às quinze horas. Após nove horas de julgamento mais três se passaram naquele sofrimento atroz.

Por conseguinte, desde a prisão à meia noite até ao meio dia são doze horas. Somando as três de trevas são quinze horas de sofrimento. Mas ainda teve energia para ser ouvido a dizer: “Está consumado. Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito”.  E, inclinando a cabeça expirou. Ali estava o Senhor da Vida, o Criador, exposto para ser troçado por quem passava e servir de exemplo a outros malfeitores. Quando o dia declinava uns amigos foram tirá-lo da cruz e colocaram-no num sepulcro novo. Todavia, não podia ser retido pela pedra. No primeiro dia da semana, assim como tinha entrado em Jerusalém, também saiu do túmulo vencendo a morte com muitas e infalíveis provas. Agora podemos dizer como Paulo: “Onde está ó morte a tua vitória?” Como Cristo, todos os que nele crêem também ressuscitarão.

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