MARIA BEM-AVENTURADA

Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada porque o Poderoso me fez grandes coisas, e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem.”  Lucas 1:48–50

Questão

É justo que Maria seja chamada bem-aventurada, porque ela o foi em virtude de ter sido escolhida por Deus para gerar o Seu único Filho para salvar a humanidade. Mas será igualmente justo que ela seja idolatrada como uma deusa, de maneira semelhante às do antigo paganismo?

Contexto bíblico

Todas as acções de Deus, durante a história, resultaram no cumprimento da profecia narrada em Génesis 3.15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” E confirmada em Isaías 7.14: “Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel.” 

A promessa do redentor foi dada a uma mulher e coube a Maria de Nazaré a sorte de ser a mãe desse redentor (Lc 1.26). Essa mulher haveria de ser uma donzela escolhida por Deus, como acontece com todos os Seus ministros. Por isso mesmo ela é chamada bem-aventurada, pois o Senhor operou nela um milagre de natalidade. Assim como havia criado o primeiro homem do pó, com sabedoria e poder, o qual arrastou a humanidade para o caos, igualmente criou o segundo homem com o mesmo poder para restaurá-la à sua posição inicial (Lc 1.35).

Maria tinha motivos para sentir-se orgulhosa de ser a escolhida de Deus para ser a mãe do Salvador. As grandes coisas que Deus lhe fez foram a sua escolha, a mensagem do anjo, a sua gravidez, a sua aceitação por José, o seu parto, um varão segundo a promessa, a mulher mais feliz por gerações, mas também a mais afligida durante toda a sua vida. Ela esteve sempre perturbada sabendo o que aconteceria ao seu querido filho.

Apesar de sentir-se honrada, Maria jamais arrogou para si a glória que pertence a seu filho Jesus. Logo no início de seu ministério, num casamento onde faltou vinho, (Jo 2.3–5) ela aconselhou que fizessem tudo o que Ele dissesse. Isto significa que a mãe quis honrar o filho com o primeiro lugar. Ela mesma sentiu-se incapaz de satisfazer aquela necessidade de ocasião. Não é justo, por conseguinte, que as pessoas entreguem à mãe o lugar que pertence ao filho. Todavia, ela tinha um filho que, sabia‑o bem, podia fazer algo bom para felicidade das pessoas presentes. Com a sua acção fez acabar a murmuração pela falta de vinho e devolveu à boda a alegria festiva (Jo 2.10).

Noutra ocasião, com a idade de doze anos, os pais encontram Jesus no Templo no meio dos doutores e perguntaram por que motivo tinha feito aquilo de os não seguir pelo caminho. Ele respondeu-lhes: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?” (Lc 2.49). O próprio Jesus estava colocando a sua filiação divina em primeiro lugar. Deste modo deu-nos o exemplo para que façamos o mesmo quando tivermos que decidir. Ainda noutra ocasião observamos Jesus a esclarecer que “minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 8:21).

Quando Jesus estava na cruz, Ele teve uma atitude muito nobre relativamente a sua mãe e ao seu discípulo amado, entregando um aos cuidados do outro para que nada lhes faltasse (Jo 19.26,27). Quando João foi pastorear a igreja de Éfeso levou Maria consigo e ali viveu até à sua morte. Ali era adorada a deusa romana Cibele, uma réplica da adorada em Babilónia, Síria e Canaã, Istar, ou Astarté, a Deusa-Mãe ou Rainha dos céus. Visto que Maria era a mãe de Jesus foi considerada Mãe de Deus e erroneamente reconhecida no lugar de Cibele, Mãe dos deuses e Rainha dos Céus.

Existe uma referência a ela no livro do profeta Jeremias quando ele se insurge contra o pecado de culto à rainha dos réus cananita como segue: “Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do Senhor, não te obedeceremos a ti; mas certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca, de queimarmos incenso à rainha do céu, e de lhe oferecermos libações, como nós e nossos pais, nossos reis e nossos príncipes, temos feito, nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém; então tínhamos fartura de pão e prosperávamos, e não vimos mal algum. Mas desde que cessámos de queimar incenso à rainha do céu, e de lhe oferecer libações, temos tido falta de tudo, e temos sido consumidos pela espada e pela fome. E nós, as mulheres, quando queimávamos incenso à rainha do céu e lhe oferecíamos libações, acaso lhe fizemos bolos para a adorar e lhe oferecemos libações sem nossos maridos?” (Jr 44.16–19) É aconselhável a leitura de todo o capítulo.

Contexto histórico

No excelente livro do Dr. Moisés Espírito Santo, Origens do Cristianismo Português, Edição da Universidade Nova de Lisboa, podemos ler algo esclarecedor acerca deste importante assunto. Diz ele: “Cibele tem algo a ver com a Rainha dos Céus cananita (Istar, Astarte) enquanto senhora dos espaços celestes.” (pg 96) “A Mãe dos Deuses foi interdita por volta de 376, tendo os seus templos passado para a igreja católica. No próprio sítio, no recinto phrygianum onde se praticaram os últimos tauróbulos, eleva-se hoje a basílica do Vaticano.” (pg 99). Diz que quando “o cristianismo passou a ser a única religião todos os outros cultos foram obrigados a adoptar referências cristãs para não caírem sob o conceito jurídico de “crime”. (pg 127).

Então, “com a viragem político-religiosa de Constantino e seus sucessores, a mãe de Jesus herdou os atributos da mãe dos Deuses, Cibele, e passou a chamar-se Maria Mãe de Deus (quando Maria foi apenas mãe de Jesus-homem); com o contributo da Criadora-Iasura, ficou Mãe do Criador, Mãe dos homens, Omniparens; com os atributos de Cibele-Celestis e da Astarté fenícia passou a ser Rainha dos Céus; com o culto de Adonis ficou a Senhora do Pranto, da Soledade, da Piedade, Santa Macarena. (pg 127).

Conclusão

Ainda que Maria tenha reconhecido que seria tratada como bem-aventurada por todas as gerações, não há motivo para ser reconhecida como Mãe de Deus, ou Rainha dos Céus. Pois, se ela própria é uma criatura à imagem de Deus, como pode ser mãe do mesmo Deus? Visto que Deus é Soberano, o único Rei do Céu e da Terra, como pode Maria ser ao mesmo tempo Rainha e Mãe? O título de bem-aventurada, reconhecido por ela própria, tem a ver com a felicidade de ser escolhida por Deus entre as mulheres para ser a mãe do Salvador do mundo, e não é pouco! Devemos honrá-la como tal e nada mais, porque, além disso, torna-se idolatria e pecado que ofende o próprio Deus.

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