Nascer de Novo

Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.” João 3.5

Existem três opiniões a respeito do novo nascimento, ou nascer da água e do espírito. Alguns alegam ser o nascimento natural a partir das águas da mãe. Ora, isso é impossível visto Jesus ter afirmado que para ver ou entrar no seu reino é preciso passar pela influência do espírito e da água. Outros afirmam referir-se à palavra de Deus pela qual somos gerados de novo, segundo o apóstolo Pedro. Isso também não se coaduna com a mensagem de João visto que Jesus se refere à experiência por que deve passar o candidato ao reino de Deus. Ainda outros asseguram, o que parece a melhor hipótese, que significa as águas do baptismo pelas quais o candidato deve passar em testemunho público de ter aceitado Jesus com seu Salvador e Senhor. Entre estes estão Barnes, Vincent e Robertson.

Finalmente, o que significa nascer da água e do espírito? Usando o contexto bíblico, comecemos pelo relato de Marcos acerca do baptismo de João: “assim apareceu João, o Baptista, no deserto, pregando o baptismo de arrependimento para remissão dos pecados. E saíam a ter com ele toda a terra da Judeia, e todos os moradores de Jerusalém; e eram por ele baptizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.” (Mc 1:4,5). As pessoas sinceras que se aproximavam, confessavam os seus pecados com a finalidade de se libertarem deles através do baptismo. Isto é, esperavam iniciar um novo ciclo na sua vida, agora isenta de pecado, de forma a estarem preparados para receberem o Messias prometido.

Paulo encontrou alguns em Éfeso, que tinham recebido o baptismo de João, e esclareceu-os que: “João administrou o baptismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que após ele havia de vir, isto é, em Jesus.” (At 19:4). E, após instruídos foram baptizados em nome de Jesus. O baptismo de João era a preparação para receber o Messias, o baptismo em nome de Jesus era o sinal comprovativo de terem recebido o Messias. Era o início duma nova etapa na sua vida.

Acerca disso nos ensina Paulo na sua carta aos romanos: “Pois, fomos sepultados com ele pelo baptismo na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” (Rm 6:4). No processo do baptismo, é sepultado alguém que se considera morto para o pecado e levanta-se ressurrecto como nova criatura para servir a Deus. Isto é corroborado pelo mesmo apóstolo, quando diz: “Pelo que, se alguém está em Cristo nova criatura é; as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo.” (2 Co 5:17). E aos colossenses escreve: “tendo sido sepultados com ele no baptismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.” (Cl 2:12).

Basicamente, e de acordo com Paulo, isto é o que acontece: “Mas vós não aprendestes assim a Cristo. se é que o ouvistes, e nele fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus, a despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pela cobiça do engano; a vos renovar no espírito da vossa mente, e a revestir-vos do novo homem que, segundo Deus, foi criado em verdadeira justiça e santidade.” (Ef 4:20–24). Durante o baptismo, o candidato confessa renunciar às velhas práticas pecaminosas e adoptar novas práticas de santidade. Por consequência, o baptismo representa o marco histórico do nascimento para uma vida nova, o qual jamais esquecerá.

É necessário, ainda, esclarecer o significado de “nascer de novo” à luz da gramática grega. Literalmente, o texto grego deve ser traduzido assim: ‘se alguém não nascer de cima’ não pode ver o reino de Deus. A carne, proveniente de Adão, vem de baixo, enquanto o espírito, proveniente de Deus, vem de cima, onde Deus habita.

Embora Nicodemos tenha pensado no ventre materno, Jesus retirou essa hipótese respondendo-lhe que: “se alguém não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.” Observemos como o seu ensino é gradual: No versículo três diz que ‘se alguém não nascer de cima não pode ver o reino de Deus’. Isto é, se não decidir renunciar às normas de vida terrenas. Mas no versículo cinco diz que ‘se alguém não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus’. Isto é, se não renunciar às velha vida e recomeçar uma vida nova marcando o seu início pelo baptismo em água, verdadeira figura do sepultamento da velha e da ressurreição da nova, pelo poder de Deus mediante o exercício da fé.

E Jesus finaliza desta maneira: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de cima.” (Jo 3:6). E a primitiva Igreja ensinava que a ordenança do Senhor é: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for baptizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” (Mc 16:15,16). Para a salvação é preciso crer e ser baptizado, mas para ser condenado basta não crer.

Após a pregação de Pedro, no dia de Pentecostes, os ouvintes perguntaram o que deveriam fazer, e o apóstolo respondeu: “Arrependei-vos e cada um de vós seja baptizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.” (At 2:37,38). E, naquela ocasião, cerca de três mil nasceram do espírito pelo arrependimento, e da água pelo baptismo. Outra experiência importante é o acontecimento na casa de Cornélio, um comandante do exército romano. Enquanto ouviam a mensagem de Pedro, o Espírito Santo veio sobre eles provando o seu nascimento espiritual e, imediatamente, foi ordenado o seu baptismo em água comprovativo do início da sua nova vida (cf. At 10:44–48).

Outro exemplo semelhante é a resposta dada ao carcereiro de Paulo e Silas, que perguntou: “Senhores, que é necessário fazer para ser salvo? Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. Então lhe pregaram a palavra de Deus, e a todos os que estavam em sua casa. Tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou- lhes as feridas; e foi logo baptizado, ele e todos os seus.” (At 16:30–33). Note-se que, após breve instrução, o baptismo foi imediatamente administrado a um gentio.

São três os que testemunham de Cristo: o Espírito, a água e o sangue (1 Jo 5:8). O Espírito testemunhou no baptismo e durante o seu ministério. A água testemunhou, no baptismo, a sua pureza de carácter e o início do seu ministério. E o sangue testemunhou o seu sacrifício e a realidade da sua morte. Há também três que testemunham a respeito do cristão: O Espírito, que nos regenera e mantém a vida nova. A água do baptismo, na qual confessamos abandonar a velha e começar a nova. O sangue, apresentando os corpos em sacrifício vivo na obediência à ordem do Espírito: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2).

Conclusão

Nascer da água e do espírito é, portanto, renovação mental mediante o arrependimento e a conversão e, ao mesmo tempo, assinalar esse facto pelo baptismo em água, onde, simbolicamente, o candidato deixa a velha natureza carnal e assume a nova natureza espiritual. A água baptismal é, por conseguinte, a sepultura da velha natureza que morre e dá lugar à nova natureza criada em Jesus Cristo mediante a fé.

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